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Homilia na Festa da Apresentação do Senhor 2010

Escrito por José Luís. Publicado em Homilia da Semana

Voltamos hoje a acender - e quase nos parecerá fora de tempo - a luz do Natal, para celebrar mais um dos mistérios da infância de Jesus! Passaram quarenta dias do Seu nascimento, e São Lucas descreve-nos, com palavras luminosas, esta bonita «Festa do Encontro»!

1. Entre os muitos pormenores, que poderíamos ressaltar, de um episódio tão rico de sugestões, gostaria de marcar a nossa reflexão com um único ponto de luz: há aqui, claramente um encontro de gerações, que é lugar de missão e de transmissão da fé. Os protagonistas da missão e da transmissão da fé são uma criança, os seus pais e dois anciãos, na comunidade de fé que é o Povo de Deus!

1.1. No centro do encontro, está, é claro, uma criança, apresentada e oferecida ao Senhor! Aqui se percebe a luz da vida, como um dom que se transmite e se recebe de Deus, para se tornar um dom que se partilha e oferece, aos demais! Aqui, ao Templo, Jesus voltará, muitas vezes, para se ocupar das coisas do Pai! A criança é aqui o símbolo de uma comunidade, que se renova constantemente, com o dom de novos filhos! 

1.2. Esta criança é apresentada pelos seus pais, por Maria e José. Exteriormente cumprem uma tradição, uma prescrição da lei. Mas interiormente, e na realidade, vêm, da sua casa e da sua família, à Casa de Deus, ao encontro do seu Povo fiel! Maria e José testemunham, assim, diante da comunidade, a necessidade e o valor inestimável de uma família espiritual, para o crescimento integral do seu Filho, em estatura, sabedoria e graça!

1.3. Para além da criança e dos pais, estão também presentes dois anciãos, Simeão e Ana. Fazem parte de um pequeno resto do Povo, que alimentava a esperança do Messias e esperava a consolação de Israel. Movidos pelo Espírito, servem a Deus, na oração. E na oração, exercitam e tornam-se portadores da esperança no Salvador!

Neste preciso e precioso contexto, tão familiar como comunitário, tão humano como religioso, neste perfeito encontro inter-geracional, faz-se luz, e começa a missão! Isto é, tem lugar, neste episódio, um exemplo luminoso da boa recepção e da necessária transmissão da luz de Cristo aos outros, precisamente através do diálogo inter-geracional, em família!

2. Queridos irmãos e irmãs: neste dia da Candelária, a Igreja tem o hábito tão belo, de nos fazer levar velas, na mão, como sinal e testemunho da luz de Cristo, que se faz missão, na sua transmissão aos outros! “Por conseguinte, quem é que hoje, tendo a sua vela acesa na mão, não se lembrará do bem-aventurado Simeão? Nesse dia, Ele tomou Jesus nos braços, o Verbo presente na carne, como a luz na cera, testemunhando que Ele era «a Luz para se revelar às nações». Mas o próprio Simeão era já «uma luz ardente e brilhante», que prestava homenagem à luz (Jo 5, 35; 1, 7). Foi por isso que ele veio ao Templo, conduzido pelo Espírito, do qual estava repleto, para proclamar que Ele era a luz do Seu povo”(B. Guerric d'Igny )!

3. A vela na mão reportar-nos-á, obviamente, ao próprio baptismo. De facto, entregando a cada um, a vela acesa no círio pascal, a Igreja afirma: "Recebe a luz de Cristo!". Deste modo, os pais são associados ao mistério da nova vida dos seus filhos, que se tornaram filhos de Deus.A família cristã é, por excelência, o lugar do primeiro anúncio da fé aos filhos(Compêndio do CIC, 350). E, no seio da família cristã, «os pais são os primeiros anunciadores da fé». Mas não só os pais; também os anciãos e os avós, os irmãos, os padrinhos, toda a família!

4. Em Ano de Missão, esta Festa da Apresentação, lembra-nos então a graça e o dever de ter e manter na mão, as lâmpadas acesas, da fé e da missão! «Tende na mão as vossas lâmpadas acesas» (Lc 12, 35). “Mostremos assim, através deste sinal visível, a alegria que partilhamos, com Simeão, que tem nas mãos a luz do mundo. Sejamos ardentes, pela nossa devoção e luminosos pelas nossas obras, e, com Simeão, levaremos Cristo em nossas mãos, a todos os outros(B. Guerric d'Igny) Da luz recebida de Cristo, dêmos luz aos outros (cf. Spe Salvi, 40)! É uma missão, que se faz por transmissão, dos anciãos, dos avós, dos pais, das crianças, de todos afinal, e que começa precisamente na família e a partir dela!

5. E como é que a família transmite a fé? De modo muito simples: Basicamente, pelo testemunho constante do amor conjugal dos pais e pelo amor familiar, vivido entre todos, sem exclusão dos mais velhos. À família compete ensinar, de modo simples, breve e claro, as verdades essenciais e mais simples da fé! Mas tais ensinamentos, só serão acolhidos com maior docilidade, se forem confirmados pela autenticidade dos exemplos de uma vida cristã coerente. Isso supõe que os pais ensinam os seus filhos a rezar e rezam com eles; que os pais aproximam os filhos dos sacramentos, e se aproximam com eles; que os pais introduzem pouco a pouco os seus filhos na vida da Igreja, acompanhando-os e comprometendo-se com eles, nos diversos serviços e encargos da comunidade cristã.

Aprendamos de Maria, de José, de Simeão e a Ana, em família, e a partir dela, a transmitir a luz da fé, como dom continuamente a redescobrir, a cultivar e a testemunhar!

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