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Homilia na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa C 2013

Escrito por Pe. Amaro Gonçalo. Publicado em Homilia da Semana

PROCLAMAMOS A VOSSA RESSURREIÇÃO!

O “mistério da fé, para a salvação do mundo”, não se fica, nem se fixa, no anúncio da paixão e morte do Salvador. A inteira Páscoa de Cristo culmina na Sua ressurreição! Por isso, escutávamos, com grande espanto e enorme alegria, a mensagem que nos chegava do alto: «Não está aqui. Ressuscitou» (Lc 24,6).

1. A ressurreição de Jesus, é, de facto, um acontecimento, tão real e tão histórico, como o da Sua paixão e morte na cruz. Mas, enquanto obra suprema do amor de Deus (cf. CIC, nn. 648-650), o ato, em si mesmo, da ressurreição de Jesus, não tem testemunhas oculares, que o descrevam; ainda menos, a sua essência mais íntima, que é a passagem a uma outra vida, poderia ser captada, pelos nossos sentidos (cf. CIC 647)! Por isso justamente cantávamos, diante da luz nova do círio pascal: «Oh noite bendita, única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro». A ressurreição de Jesus acontece na história, não passa à história, mas ultrapassa a própria história da nossa humanidade.

2. De resto, a ressurreição é uma surpresa completa, para a fé dos judeus, para a esperança das mulheres e dos discípulos, que nem queriam crer, nem podiam ainda entender. E, neste sentido, também a ressurreição, constitui um mistério, um acontecimento que os transcende a todos, uma realidade que supera todas as suas expetativas (cf. CIC, nn. 639-647), e que só o olhar da fé, iluminado pela Palavra das Escrituras, poderá alcançar! Por isso se diz, que o discípulo amado, “viu e acreditou” (Jo 20,8)! O sepulcro vazio é apenas um sinal aberto, para a fé. Da experiência, real e histórica do encontro divinal, com o Cristo Ressuscitado, é que brotarão depois todos os testemunhos da Sua ressurreição.

3. Devemos ainda aqui esclarecer o que, já devia ser claro: não se trata, para Jesus, de voltar à vida de antigamente (cf. CIC, n. 646), ou de ser reanimado, ao terceiro dia. Não. A fé dos apóstolos proclama a todos, pela boca de Pedro: “Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu manifestar-se a algumas testemunhas” (At.10,40). O Ressuscitado é o mesmo Cristo vivo, que passou fazendo o bem! Ele é o mesmo Crucificado, suspenso no madeiro, mas agora vive, e vive para sempre, numa plenitude e numa condição de vida, que não mais conhece a morte!

4. Neste dia da Ressurreição do Senhor, estamos a professar, a celebrar e a viver o mistério central da nossa fé cristã, a tal ponto que São Paulo avisara os coríntios: “Se Cristo não ressuscitou é vã a vossa fé.(…) Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícia dos que morreram” (cf. I Cor.15,16-21). Por outras palavras, a ressurreição de Jesus inaugura uma nova vida, para nós. Ela não é um acontecimento isolado e do passado, que diga só respeito a um certo Jesus de Nazaré; trata-se, de uma mutação decisiva, de uma transformação inteira, dentro da nossa própria humanidade, que nos atinge e alcança a todos, que nos leva e eleva da morte, para a vida inteira e verdadeira. A ressurreição de Jesus é, por isso mesmo, o «princípio e fonte da nossa ressurreição futura» (CIC, n. 655).

5. Crer que Jesus «ressuscitou ao terceiro dia» significa reconhecer que o mal e a morte, o ódio e o pecado, a desgraça e a injustiça, não têm a última palavra, pois o amor de Deus é mais forte do que a própria morte! Na Páscoa de Cristo tem apenas início aquela vida, para a qual o ser humano foi criado por Deus, e, com ela inaugura-se a regeneração da humanidade inteira. Até lá, até à nossa ressurreição futura, até que Cristo venha, a nossa vida está em boas mãos, está “escondida, com Cristo, em Deus” (Col.3,1-4). Até lá, até que Ele venha, e se manifeste nEle a nossa vida, em toda a sua glória, celebremos, com beleza e alegria, o mistério da fé, em cada Eucaristia, anunciando a sua morte e proclamando a Sua Ressurreição!

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