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Homilia de Natal 2008 - Homilia na Noite de Natal - 1994

Escrito por Pe. Amaro Gonçalo. Publicado em Homilia da Semana

Homilia na Noite de Natal - 1994

«Não temais! Anuncio-vos uma grande alegria para todo o Povo: nasceu-vos hoje, um Salvador, que é Cristo, Senhor»!

«Não temais»! Não vos tomeis de susto, mas de espanto! Não vos perturbeis, mas deixai-vos maravilhar! Não vos escondais, mas voltai-vos para a Luz! «Nasceu-vos hoje um Salvador»!

«Não temais»! Deixai-vos antes inebriar pela alegria do Dom. «Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado». Saboreai o gozo supremo da mais inaudita surpresa. Numa manjedoira, envolto em panos, em Belém, a Casa do Pão, há um Menino. É Cristo, o Senhor, é o Salvador do Homem. A notícia ecoa, por isso, lá do alto, e ressoa no mais profundo do coração dos humildes. É a boa nova de salvação. Na frágil humanidade, Deus dignou-se manifestar o seu Amor. Na carne sempre débil, o nosso Deus quis habitar-nos. Ele não se envergonhou de nós. Não nos deixou entregues à nossa perdição. Na humildade do Presépio Deus fez-se Menino. Na sua manifestação de Amor, Deus nem podia ter ido mais longe. Fez-se um de nós, um connosco, um para nós! E, no Menino, despido de todas as coisas, o mundo contemplou o rosto de um Deus à mercê dos Homens. É o rosto de um Deus feito homem como nós, afeito aos nossos limites de espaço e tempo, de calor e frio, de fome e satisfação, de alegria e de choro. Mas é o rosto de um homem que é Deus, o rosto de uma humanidade divinizada, de um homem «próximo» que vem de longe, partiu do Eterno e abraçou a nossa história, tocou a nossa carne. É um homem tão homem, tão pleno de humanidade, que só podia ser Deus. É um Deus tão Deus, tão rico de amor, que para salvar o Homem só podia ser Homem...

Se ali estivesse apenas o homem, estaria ainda e tão só o rosto da nossa indigência. Seria ainda um sinal e uma esperança para o Homem, mas não uma presença de Graça nem uma plenitude de salvação. É o homem. Sim. É verdadeiramente homem. Mas verdadeiramente Deus. Por isso ele detém em si todo o mundo íntimo da divindade, todo o mistério da Trindade, todo o mistério do tempo e da Eternidade. É verdadeiramente homem. NEle o divino não se confunde com o humano. Permanece algo de essencialmente divino. Mas Cristo, ao mesmo tempo é tão humano! Graças a isso, todo o mundo dos homens, cada um de nós, encontra nEle a sua expressão diante de Deus. Quer dizer, ali está um Deus que se compraz no Homem, que se manifesta na Carne e dá plenitude de vida e amor à nossa humanidade. Mas também ali está um Homem que é Deus, um homem que tocando a nossa humana condição, a introduz na plenitude da vida divina! E por isso está o homem diante de Deus. Não diante de um Deus longínquo, inacessível, mas de um Deus que está nEle: mais ainda, que é Ele próprio.

Não temais. Que diante do presépio, o «excesso» do Mistério que se faz Luz, nos liberte do medo e nos encha de alegria. Deus viu a nossa dignidade tão ferida pela fragilidade que a preencheu da sua plenitude.

No Menino estamos em Deus. E Deus está em nós!
«Ele é a Luz verdadeira, que vindo a este mundo ilumina todo o Homem»!
Vinde, adoremos!

Pe.Amaro Gonçalo, 25.12.1994

 

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