Ano A – IV Domingo da Páscoa

«Eu sou a porta das ovelhas»

Numa alegoria que faz identificar o Bom Pastor com Jesus, percebemos como é a bondade de Jesus. A sua postura diante do rebanho, diante da Igreja, convida-nos a sentir a força do Seu amor, a preocupação constante pelo bem de todos os que são seus, o facto de conhecer a cada um pelo próprio nome, como porta que conduz à eternidade das pastagens verdejantes. A imagem de Jesus como “bom pastor” teve uma grande presença na primeira comunidade: por isso é fácil descobrir a imagem de Jesus como Bom Pastor, carregando sobre os seus ombros um cordeiro, conservadas ainda hoje nas catacumbas de Roma. Da primeira comunidade para a nossa comunidade, porque Jesus é, de facto, o nosso Bom Pastor!

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 10,1-10)

Ano A – IV Domingo da PáscoaNaquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

Segunda-feira

PALAVRA        

Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador.

Todo o Capítulo 10 do Evangelho de São João é dedicado ao tema do Bom Pastor. E também todos os anos, neste IV Domingo da Páscoa, lemos uma parte desse Capítulo e daí que se chame o Domingo do Bom Pastor e ande associado à Oração pelas Vocações. “Pastores” era o nome que se dava aos reis e chefes dos povos, desde muito cedo, no antigo Médio Oriente. Moisés e David, antes de serem efectivamente líderes e pastores do Povo e Israel tinham sido mesmo pastores de ovelhas. O profeta Ezequiel, em tempos do exílio, perante o fracasso dos chefes políticos e religiosos, acaba por apresentar ao mesmo Deus como “Pastor de Israel”.

No texto de hoje, São João, servindo-se de uma parábola, começa por distinguir entre bons e maus Pastores. E com toda a solenidade começa por definir como maus pastores todos os que não entram pela porta do aprisco, pois esses são apenas ladrões e salteadores.

MEDITAÇÃO

A palavra é aqui dirigida a todos, mas sobretudo aos falsos pastores: furam as paredes do aprisco, entram às escondidas, com objectivos e interesses egoístas. Não pensam nas ovelhas, mas em si mesmos. Só podem chamar-se de ladrões e salteadores. São tudo menos pastores. Pensam apenas no seu proveito pessoal. Mas nas comunidades – na Igreja que é hoje o aprisco real - também há ovelhas que pensam e agem assim. Onde fica o bem dos outros? Onde fica o bem público? Como ousamos chamar a Deus “nosso” Pai? Onde nos conduzirá esta “cultura individualista”? Será que a maus pastores têm forçosamente de corresponder más ovelhas?

ORAÇÃO

Ladrões e salteadores! Revemo-nos nesta acusação de Jesus? É isso que nós somos? É lamentável, Senhor, que troquemos a nossa verdadeira felicidade por pequenas satisfações momentâneas alcançadas e vividas à custa dos outros. Passamos a vida a pensar apenas em nós para chegarmos ao fim de mãos vazias. Ajuda-nos, Senhor, a abrir os horizontes e a perceber que da felicidade dos outros também depende a nossa, a minha. Concede-nos Senhor, a transparência no nosso viver e um compromisso sério com a nossa vocação de membros da Igreja.

ACÇÃO

Tomarei especial cuidado nas minhas relações com aqueles com quem costumo conviver, tendo bem presentes os meus deveres pessoais, sociais e eclesiais na criação de um ambiente justo, transparente, alegre e solidário. 

Terça-feira

PALAVRA

Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem no, porque conhecem a sua voz.

Jesus apresenta agora o lado oposto da parábola, na linha do profeta Ezequiel: o bom pastor é o que entra pela porta do aprisco, tira as ovelhas para fora chamando-as pelo seu nome, caminha à sua frente, e elas seguem-no porque, também elas conhecem a sua voz.

MEDITAÇÃO 

Como um pastor se preocupa pelo seu rebanho (…) assim em me preocuparei pelas minhas ovelhas”, diz Deus pela boca de Ezequiel. Jesus identifica-se com esse Deus e com o Seu modo de proceder. Acreditamos que Jesus é realmente o nosso Pastor? Que Ele nos conhece pelo nosso nome? Que, ao criar-nos, deixou em nós a sua marca, o seu GPS? Que nos ama individualmente porque fomos criados por Ele em forma única? Que quer estabelecer uma relação íntima com cada um/a de nós? Que pretende libertar-nos e caminhar à nossa frente nos momentos alegres e nas dificuldades? E nós? Conhecemos nós a Sua voz? Aceitamos segui-Lo? Até que ponto e de que maneira?

ORAÇÃO 

Senhor, ao escutar a Tua voz sinto paz e alegria ao rezar o Salmo 23:

                 O Senhor é meu pastor: nada me falta.
                 Leva me a descansar em verdes prados,
                 conduz me às águas refrescantes
                 e reconforta a minha alma.

ACÇÃO

Ao longo do dia, nos momentos de contrariedades, de inseguranças, de dúvidas, ou, se for o caso, de rejeição e perseguição, repetirei com confiança: “O Senhor é meu Pastor: nada me falta”.

Quarta-feira

PALAVRA 

Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos».

Jesus afirma aqui o que os nossos pais nos ensinavam: “Nunca sigas um estranho! Foge dele…”. Jesus identifica aqui “estranho” com “perigo, ameaça”, alguém que nos pode fazer mal e levar por maus caminhos. É que um mau pastor é uma desgraça para as ovelhas.

MEDITAÇÃO 

Senhor, Tu dizes que as tuas ovelhas não seguem um estranho e fogem dele. E assim devia ser. Mas que acontece realmente? Nós trocamos frequentemente a Tua voz pela voz de tantos estranhos!... Isto porque escutamos mais facilmente as palavras doces de arrivistas mundanos que chegam gritando e oferecendo-nos caminhos e pastagens de sonho. E deixamos de Te escutar a Ti, pomos-Te de lado. E depois queixamo-nos que Tu nos abandonas, que ficas calado, que não compreendes os nossos projectos. Interroguemo-nos: na realidade a quem ouvimos nós? A quem seguimos? A Jesus Bom Pastor? Ou a estranhos desconhecidos? Com quem intimamos no nosso agir diário? A quem atribuímos as nossas frustrações?

ORAÇÃO

Senhor, eu repito todos os dias que sou dos teus, que sou ovelha do teu rebanho, que quero ouvir a Tua voz, que quero seguir-Te. E apesar disso, também diariamente deixo de Te ouvir porque me deliciam e encantam mais outras vozes de estranhos que, no fundo, se querem apenas aproveitar de mim. E mudo, desligo, troco de registo. Senhor, que eu não abafe, nem deixe de escutar a Tua voz potente, clara, dócil mas decidida que vem do Evangelho e me quer conduzir a pastagens verdejantes de liberdade, realização e felicidade. Que eu realize a vocação que Tu me destinaste neste mundo.

ACÇÃO 

Agradecerei ao Senhor, meu Pastor, que me chama com carinho e amor, e tentarei distinguir claramente entre a Sua voz e a das sereias dos estranhos. E a prova disso vê-la-ei nas minhas palavras, afectos e acções do dia, quando fizer o exame de consciência à noite.

Quinta-feira 

PALAVRA

Jesus apresentou lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram.

Diante da incompreensão e obstinação dos chefes judeus, Jesus apresenta-lhes uma segunda parábola. Numa alusão directa, confronta-se com os líderes religiosos que têm orientado o povo até aí, a quem chama ladrões e salteadores, enquanto Ele, agora, se propõe como único acesso ao rebanho.

MEDITAÇÃO

De novo, dando força às suas palavras, Jesus nos põe a alternativa: ou Ele – a Porta -, ou os outros – ladrões e salteadores. Por quem optamos? Em quem confiamos? Continuaremos na nossa cegueira? A quem queremos seguir? Sabemos que nEle têm resposta todas nossas dificuldades e esperanças; sabemos que se O escutarmos e seguirmos teremos de nos comprometer com Ele e como Ele, dando vida e abrindo caminho aos oprimidos e dominados pelo medo. Ele é caminho para o Pai. É a Porta. Para nós. Para mim. E nós, continuaremos a não O escutar, julgando-nos capazes de tudo? Apresentando-se como Porta desafia-nos ao compromisso e intimidade com Ele e com os outros. Mais, a abrir-nos a tantos transviados e mesmo aos que nunca O conheceram.

ORAÇÃO

Mais uma vez, Senhor, o salmista me ajuda a rezar:

                 O Senhor é meu Pastor,

                 Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
                 Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
                 não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
                 o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

ACÇÃO

Esforçar-me-ei, ao longo do dia, por ser a porta por onde entrem crentes e descrentes para um estado interior de maior paz, de maior esperança, e, se for possível, de maior intimidade com o Bom Pastor a caminho do Pai.

Sexta-feira

PALAVRA

Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.

Jesus reafirma a Sua condição e a Sua identidade: Ele é a Porta. E todos aqueles que entrarem por essa Porta desfrutarão da liberdade e hão-de saborear a satisfação de todas as suas necessidades.

MEDITAÇÃO

Aqui está em jogo a resposta e a vida das ovelhas. Não interessa um pastor que não tem ovelhas. E as ovelhas a que Jesus se refere somos todos nós, todos/as aqueles/as que queremos segui-Lo, todos os que formamos a Igreja, toda a Humanidade.. Mas Jesus apresenta-se como Pastor e ao mesmo tempo como Porta. É assim que nós O vemos? Então o único caminho para fazer parte do rebanho de Jesus é entrar pela Porta que é Ele. E seguir Jesus implica segui-Lo nas suas palavras e nas suas obras. Não podemos segui-Lo como “carneiros” que vamos atrás, passivamente, servilmente, sem comprometermos a nossa vida no Reino e na entrega aos outros. Entrar e sair sempre em serviço, entrar e sair pela Porta dispostos/as a transformarmo-nos também nós em portas para ajudar outros a entrar e sair com total liberdade.

ORAÇÃO

Obrigado, Senhor, porque hoje, mais uma vez, me ofereces a possibilidade de Te reconhecer como Porta que abre para a salvação. Obrigado porque me dás a liberdade e a possibilidade de entrar e sair respeitando totalmente a minha opção de Te seguir, sem me forçar. Quero pertencer ao teu rebanho, à tua equipa; quero seguir-Te orientando e comprometendo o meu caminhar e o meu agir pelos critérios do Evangelho. Quero seguir-Te, porque só Tu me conduzes às pastagens da felicidade. Obrigado, Senhor, porque Tu és o meu Bom Pastor.

ACÇÃO

Ao longo do dia de hoje, procurarei saborear a liberdade com que Jesus me presenteia, contrapondo-a a tantas ofertas que tenta oferecer-me o mundo me rodeia, mas que quase sempre acabam em escravidões.

SÁBADO 

PALAVRA

O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

De novo Jesus faz o confronto entre Ele e os falsos pastores de quem já Ezequiel dizia: “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmo em vez de cuidarem das ovelhas”. Jesus, pelo contrário, apresenta-se como aquele que vem para que as ovelhas tenham vida e vida em abundância.

MEDITAÇÃO

A Encarnação de Jesus visa precisamente devolver-nos a filiação divina e a vida eterna. A Fé deve levar-nos a uma comunhão profunda com Ele a ponto de também nós dizermos como São Paulo: “Aposto tudo em Jesus porque Ele me amou e se entregou por mim. Já não sou eu que vivo mas é Ele que vive em mim”. Isto é receber a vida em abundância que Jesus, Bom Pastor, nos oferece. Que reacção temos diante deste oferta? Qual é a qualidade da minha vida? Interessa-me só a parte material e social ou apercebo-me que, se me falta a dimensão espiritual, não sou pessoa completa? Que peso tem a fé e a relação/encontro com Deus no meu viver diário?

ORAÇÃO

Mais uma vez, Senhor, hoje repetirei a oração do salmista:

A bondade e a graça [do Senhor] hão de acompanhar me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

ACÇÃO

Em tudo o que hoje fizer, disser ou pensar, vou procurar defender a vida e dar vida onde ela não exista. Por isso lutarei contra tudo o que redunda em roubar, matar ou destruir a vida nas suas variadas dimensões: humana, social, cultural, psíquica, afectiva, espiritual, cultual.

Pe. Luciano Miguel,  sdb

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