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Homilia no VI Domingo Comum C 2010

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Encontro Ibérico de Taizé

1. Os que têm sede de Deus, sede de amar e de ser amado, sobem à montanha e descem à planície, como quem procura, sem cessar, e até encontrar, as verdadeiras fontes da alegria! E Jesus, erguendo os olhos para nós, abre o seu coração, e da abundância do seu coração, dá-nos a beber palavras de vida eterna! Ele proclama, a nossos olhos, uma alegria nova, um caminho novo, para uma felicidade paradoxal. Trata-se da alegria e da felicidade dos pobres, dos que têm fome e sede, dos que choram, dos que são odiados e perseguidos por causa do seu nome!

Assim, ao começar pela bem-aventurança dos pobres, dos mansos e dos humildes, Jesus “convida-nos à simplicidade. Escolher a simplicidade abre-nos o coração à partilha e à alegria que vem de Deus” (Ir. Alois, Carta da China). Jesus assegura-nos que “com quase nada, com muito pouco, se pode viver inesgotavelmente o inesperado. (…) E da simplicidade nasce, repleta de espontaneidade, uma alegria serena” (Fr. Roger). Vede: a pobreza, a simplicidade e a bondade, de coração e de vida são, para todos, verdadeiras fontes da alegria!

2. Queridos jovens: É estranho que Jesus exalte a alegria daqueles que o mundo geralmente considera frágeis! Pronunciadas e vividas por Jesus, "manso e humilde de coração" (Mt 11, 29), estas palavras apresentam um desafio que exige uma grande e profunda transformação do coração!

Vós, jovens, compreendereis por que motivo esta mudança de coração é tão necessária! Porque estais conscientes de que há outra voz, dentro de vós, e ao vosso redor. Trata-se de uma voz que diz: "Felizes os soberbos e violentos, aqueles que progridem custe o que custar, os que não têm escrúpulos, os impiedosos e os desonestos, aqueles que promovem a guerra e não a paz, os que perseguem as pessoas que se lhes apresentam como obstáculo ao longo do caminho". E parece que esta voz tem sentido num mundo, onde os violentos, com frequência, triunfam, e os desonestos dão a impressão de alcançar o sucesso. "Sim", diz a voz do mal, "são eles que hão-de vencer. Felizes deles"…

3. Estas vozes disputam o vosso coração, porque «do coração humano transborda uma abundância de desejos e de aspirações: gostamos de muitas coisas, e por vezes até de coisas contraditórias (…). É importante fazermos uma escolha dos nossos desejos. Nem todos são maus, mas também nem todos são bons. Trata-se de aprender a discernir pacientemente quais os que devemos seguir prioritariamente, e quais os que devemos deixar de lado. (…) Deus também nos fala através do nossos desejos. Cabe-nos a nós discernir a sua voz no meio de tantas vozes interiores (Sal.16,7)”. “Deixai despertar em vós a sede mais profunda, a mais profundas das esperas: o desejo de Deus(Ir. Alois, Carta da China)! E chegareis à fé, fonte de inesgotável alegria!

4. Queridos jovens: O chamamento de Jesus sempre exigiu uma escolha, entre as duas vozes, que concorrem para conquistar o vosso coração:  a voz entre o bem e o mal, entre a vida e a morte. Vós, jovens do século XXI, jovens de Taizé, que voz quereis seguir? “Procurar a felicidade a qualquer preço, acaba muitas vezes por afastá-la” (Fr. Roger). Por isso, ponde a vossa confiança em Deus, depositai a vossa fé em Jesus! Isto é, escolhei e acreditai na sua Palavra, como fonte segura de uma alegria verdadeira!

5. Queridos jovens: Jesus não só proclama as Bem-aventuranças. Ele vive-as. Ele é as Bem-aventuranças. As bem-aventuranças são mesmo o seu auto-retrato. Olhando para Ele, descobrireis o que significa ser pobre, ter fome, compadecer-se e ser perseguido. Eis por que Jesus tem hoje e sempre o direito de vos dizer: "Vinde, segui-me". Ele não dirá simplesmente:  "Fazei o que vos digo", mas sim:  "Vinde, segui-me". Ele diz, hoje e de novo a cada um de vós: «Quem tem sede que se aproxime; e o que deseja, beba gratuitamente da água da vida” (Ap.22,17).

Queridos jovens: Nesta Paróquia de Nossa Senhora da Hora, há uma “fonte das Sete Bicas”, que aqui dá nome, a muitas causas e coisas! Desejamos, de todo o coração, que, ao passardes por aqui, possais encontrar alguma destas sete fontes da alegria: a pobreza, a simplicidade e a bondade, de coração e de vida, a paz, o desejo de Deus e a fé humilde, a confiança no Senhor! Assim viveu Maria, a Mãe de Jesus, “feliz porque acreditou” (Lc.1,45)! E, por isso mesmo, a proclamam ditosa, feliz e bem-aventurada, todas as gerações (cf.Lc.1,48)!

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