Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2008 - Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2007

Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2007

1. Celebramos, no Advento, a Solenidade da «Imaculada Conceição»! Palavra d’honra, que me apetecia passar pela assembleia uma folha em branco e pedir-vos, um a um, que respondessem a duas perguntas: 1) Que significa para Maria, este título da “Imaculada Conceição”? 2) Que significado tem para nós este mistério da Imaculada Conceição, para que seja celebrado como fonte de esperança? Por certo, voltaria em branco, “virgem” e “imaculada” a folha de resposta, que vos fora dada!

2. Ora, para responder a estas duas perguntas tão difíceis, o melhor é contar-vos brevemente uma longa história! Digo-vos já que não é original a bela história, que vos vou contar. Pois é “a antiga e sempre nova” história do pecado original. E que diz ela afinal?

2.1. Diz que «Deus nos escolheu, antes da Criação do Mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença» (cf. Ef.1, 3-12). Por palavras mais simples: o único sonho de Deus é fazer-nos conhecer e viver no seu Amor; do seu Amor, para o seu Amor”. Deus criou o Homem, homem e mulher, para viver e conviver, na sua presença, para ser, estar e caminhar, na alegria da sua companhia. De certo modo, o Homem é chamado a viver no coração de Deus, como em sua casa. Nisto estava a vida e alegria do Homem: conhecer e amar a Deus, ser conhecido e amado por Ele. O maior risco, para o Homem - e Deus advertira-o disso - era querer «saltar para fora» do coração de Deus. Criar raízes fora dele!

2.2. E assim aconteceu. O Homem cedeu à tentação de usar a sua liberdade, para escapar ao amor de Deus. E então a tal liberdade que lhe parecia prometer a verdadeira alegria, trouxe-lhe o medo e a solidão; a inteligência, com que julgava transformar o seu mundo num jardim, fez dele um deserto. A promessa de uma vida exaltante, fora de Deus, desembocou rapidamente na desordem e no vazio. Por fim, o homem que julgava encontrar, sem Deus, o Paraíso, vê-se metido no inferno da solidão, da inimizade e da destruição.

2.3. Uma história cheia de “poesia”, direis… mas acaba tão mal assim?! Não. Neste cenário “triste e escuro”, abre-se um clarão de esperança. Deus não abandona a Humanidade. Anuncia-se já a vitória do amor de Deus, sobre o pecado. O mal não terá a última palavra. O amor de Deus é invencível, e fá-lo-á descer e vir ao nosso encontro, para nos salvar. E é nesta prometida “viagem” ou “viragem histórica” que se anuncia já o aparecimento da mais alta “estrela da nossa esperança”; vê-se já desenhada no céu, a figura nova de uma Mulher. Da sua descendência, havia de nascer Aquele que esmagaria o poder terrível do mal, com a força frágil do amor.

3. Ora, foi nesta esperança, que a humanidade esperou ansiosamente um Salvador. Nenhum poder ou reinado, por mais virtuoso que fosse, se revelou capaz de devolver à Humanidade o Paraíso perdido. Nenhuma descoberta ou progresso, pôde dar resposta aos mais profundos anseios do coração humano. Nenhuma história de amor, por mais bela que fosse, escapou à sua própria morte. Só um amor incondicionado e ilimitado, um amor divino, maior do que o nosso coração, poderia dar à Humanidade a esperança da salvação! E a Deus bastou o «sim» livre, amoroso, humilde e confiante de uma Mulher, para acolher esse «amor». É aqui que entra em cena, a figura de Maria. Ela é “a Mulher”, escolhida por Deus, completa e repleta do seu Amor. Uma mulher simples e pobre, que vivia de Deus, vivia em Deus, vivia para Deus e nEle punha toda a sua esperança. Maria é «a Imaculada» porquanto nela o “vírus” do pecado, não entrou nem a manchou. Por um especial acto de amor, Deus preservou-a do pecado, preparando para o seu Filho “uma digna morada” (Oração Colecta).

4. Deste modo respondemos à primeira pergunta: que significa, Maria, a «imaculada»? A resposta é simples: Em Maria, por graça de Deus, não há nada que não seja puro; não há nada que em Maria não seja de Deus ou para Deus. E isto desde sempre, desde a sua «concepção». Quer dizer, desde o primeiro instante da sua vida, Deus tomou Maria para si, sem que qualquer sombra de pecado lançasse nela a sua raiz. De certo modo, Deus realizou, de maneira única e antecipada em Maria, o que queria fazer de cada um de nós: santos e salvos, pela graça abundante do seu amor!

5. Assim, - e respondemos agora à segunda pergunta - celebrar a ‘Imaculada Conceição” tem para nós este significado: “há no nosso mundo uma criatura humana, já radicalmente redimida, isto é, assumida, salva e transformada, pelo amor misericordioso de Deus”. Esta boa-nova não pode deixar de ser para nós fonte de alegria e de esperança: a partir da «Imaculada concepção de Maria», sabemos que o poder do mal foi esmagado e o coração humano foi redimido pelo Amor. Neste sentido, Maria é justamente aclamada como nossa “Estrela de Esperança”.

«Quem mais do que Maria, poderia ser para nós, Estrela da Esperança? Ela, que, pelo seu sim, abriu ao próprio Deus, a porta do nosso mundo!» (Spe Salvi, 49)! Para Ti, nos voltamos, ó Estrela da Esperança: brilhai sobre nós e guiai-nos no caminho de regresso ao Paraíso, para que Deus possa entrar e Cristo venha a nascer e a viver em nós, como em Ti!

ImprimirEmail