Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2008 - EXCERTOS DA HOMILIA DE JOÃO PAULO II EM LOURDES

EXCERTOS DA HOMILIA DE JOÃO PAULO II EM LOURDES
- 150 ANOS IMACULADA CONCEIÇÃO

1. "Que soy era Immaculada Councepciou". As palavras que Maria dirigiu a Bernardette, no dia 25 de Março de 1858, ressoam com uma intensidade totalmente particular neste ano, durante o qual a Igreja celebra o 150º aniversário da solene definição do dogma proclamado pelo Papa Pio IX, na Constituição apostólica Ineffabilis Deus.

Um acontecimento que continua a glorificar a Trindade una e indivisa. A Imaculada Conceição de Maria constitui o sinal do amor gratuito do Pai, a expressão perfeita da redenção levada a cabo pelo Filho, o ponto de partida de uma vida totalmente disponível à acção do Espírito.

É precisamente desta consciência (consciência do cumprimento das promessas, porque Deus "se recordou da sua misericórdia"), que brota a alegria da Virgem Maria, que transparece no conjunto do cântico: alegria de saber que Deus "olha" para Ela, apesar da sua "fragilidade" (cf. Lc 1, 48); alegria em virtude do "serviço" que lhe é possível prestar, graças às "grandes obras" que o Todo-Poderoso realizou em seu favor (cf. Lc 1, 49); alegria pela antecipação da bem-aventurança eterna, reservada aos "humildes" e aos "famintos" (cf. Lc 1, 52-53).

Depois do Magnificat chega o silêncio; nada se diz acerca dos três meses da presença de Maria ao lado da sua prima Isabel. Talvez nos seja dita a coisa mais importante: o bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano.

2. Mediante as suas palavras e o seu silêncio, a Virgem Maria aparece como um modelo ao longo do nosso caminho. Não se trata de um caminho fácil: em virtude da culpa dos nossos pais primitivos, a humanidade traz em si a ferida do pecado, cujas consequências ainda continuam a fazer-se sentir nas pessoas remidas. Mas o mal e a morte não terão a última palavra! Maria confirma-o através de toda a sua existência, sendo testemunha viva da vitória de Cristo, nossa Páscoa.

3. Estimados Irmãos e Irmãs! A Virgem Imaculada fala-nos também a nós, cristãos do terceiro milénio. Coloquemo-nos à sua escuta!

E da gruta Lourdes, a quem Maria confirmou a Bernardette a sua concepção imaculada, vem um apelo especial às mulheres. Aparecendo na Gruta de Lourdes, Maria confiou a sua mensagem a uma menina, como que para ressaltar a missão particular que compete à mulher, na nossa época tentada pelo materialismo e pela secularização: ser, na sociedade contemporânea, testemunha dos valores essenciais, que não se podem ver senão com os olhos do coração. Vós, mulheres, tendes o dever de ser sentinelas do Invisível!

4. Irmãos e Irmãs, lanço a todos vós um apelo premente, a fim de que façais tudo o que estiver ao vosso alcance para que a vida, qualquer vida, seja respeitada desde a concepção até ao seu ocaso natural. A vida é uma dádiva sagrada, da qual ninguém se pode apropriar.

Enfim, a Imaculada Conceição tem uma mensagem para todos. Ei-la: sede mulheres e homens livres! Contudo, recordai-vos: a liberdade humana é uma liberdade marcada pelo pecado.

Ela tem necessidade de ser libertada. Cristo é o seu libertador, Ele que "nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres" (Gl 5, 1). Defendei a vossa liberdade!

Queridos Amigos, para isto sabemos que podemos contar com Aquela que, sem jamais ter cedido ao pecado, é a única criatura perfeitamente livre. É a Ela que vos confio. Caminhai com Maria, ao longo do trajecto da plena realização da vossa humanidade!

ORAÇÃO FINAL DIANTE DA BASÍLICA DO ROSÁRIO DE LOURDES

Ave Maria,
Mulher pobre e humilde,
abençoada do Altíssimo!
Virgem da esperança,
profecia dos novos tempos,
nós nos associamos
ao teu hino de louvor
para celebrar
as misericórdias
do Senhor,
para anunciar
a vinda do Reino
e a libertação
integral do homem.
Ave Maria,
humilde serva do Senhor,
gloriosa Mãe de Cristo!
Virgem fiel,
santa morada do Verbo,
ensina-nos a perseverar
na escuta da Palavra,
a ser dóceis à voz do Espírito,
atentos aos seus apelos
na intimidade da nossa consciência
e às suas manifestações
nos acontecimentos da história.
Ave Maria,
Mulher da dor, Mãe dos viventes!
Virgem esposa junto da cruz,
nova Eva, sê nossa guia
pelos caminhos do mundo,
ensina-nos a viver e a propagar
o amor de Cristo,
ensina-nos a permanecer contigo,
junto das numerosas cruzes
nas quais teu Filho
ainda é crucificado.
Ave Maria,
Mulher de fé,
primeira entre os discípulos!
Virgem, Mãe da Igreja,
ajuda-nos a dizer sempre a razão
da esperança que nos anima,
tendo confiança na bondade
do homem e no amor do Pai.
Ensina-nos a construir o mundo
a partir do interior: na profundidade
do silêncio e da oração,
da alegria do amor fraterno,
na fecundidade insubstituível
da Cruz.
Santa Maria, mãe dos crentes,
Nossa Senhora de Lourdes,
intercede por nós.
Amém.

João Paulo II

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