Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2008 - Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2001

Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2001

1. E o sentinela, desprevenido, recebeu a visita de Deus, à hora que menos lhe calhava. Sem tempo, para se arranjar, sem palavras para se desculpar, o Homem esconde-se na sombra da mulher. Nem as distracções da vida, nem o seu passeio pelos jardins proibidos, calam, de vez, o sinal de alarme que ressoa lá, bem no íntimo de si mesmo. Uma vez posto fora da porta do coração pelo Homem, Deus entra-lhe pelo postigo da consciência. «Ouvi o rumor dos vossos passos e tive medo». Deus, mais uma vez, não se fez avisar, com o ruído de nenhuma trombeta. Um simples rumor, uma simples pergunta, «onde estás», provoca uma forte inquietação, «que fizeste». Isto sobra para agitar o coração do Homem, para o fazer sentir a necessidade de salvação. Deus vem, assim, de mansinho, ao encontro do Homem, não para meter medo, mas para nos deixar nus, diante dEle. Vem para nos libertar do medo, da angústia e do pecado. Vem, na noite dos tempos antigos, deixar a Promessa dos novos tempos. «Da descendência da Mulher», havia de nascer Aquele que esmagaria, de uma vez por todas, o poder definitivo do mal. O Homem teria de esperar. Deveria esperar. Permanecer de sentinela, juntar-se a outros, fazer-se povo, através dos séculos, na espera atenta do Messias, nascido de uma Mulher.

2. E este povo, de «degradados filhos de Eva», esperou a hora da Promessa, a chegada do Messias. Com a ajuda dos profetas, sentinelas de Deus, acordavam, cada dia, para esta esperança. E sonhavam pelo dia do Senhor. Maria de Nazaré, filha deste Povo, encarnava, na perfeição, a esperança da sua gente e da sua terra. Ela era verdadeiramente a «filha de Sião». Estava de sentinela, de vigia e de vigília, guardada para essa chegada. Até que o Senhor veio. Entrou nela como o Sol pela vidraça. E olhou para a sua humilde serva. Toda ela era espera, desejo, acolhimento, abertura, disponibilidade, toda-ouvidos, toda coração, toda pura, a «cheia de graça». Deus, que já tinha marcado a sua hora, para a encarnação de seu Filho, chama agora Maria, para ser sua Mãe. Deus vem primeiro e agora só espera licença para entrar. E Maria, não se fez rogada. Estava preparada e acordada para este encontro de Deus com a História dos Homens. Ela é a primeira, a «estrela da manhã», a anunciar o nascer do Sol da Justiça, Cristo, nosso Senhor. Primeira a acordar, quer dizer, a dar o coração... primeira a sentir a presença e a consentir nela. Primeira a ser redimida. A primeira a receber a prenda do Natal, que Deus reservava para todos nós, em seu Filho Jesus Cristo. Maria recebe esta graça antes de nós, melhor do que nós, de modo radical e por causa de nós.

3. Neste tempo de Advento, a Igreja olha para Maria, como «aurora» da redenção, como o primeiro sinal da sua chegada. Para dar conta da presença de Deus é preciso estar ali, detido, aos pés de Maria, à espera do impossível. Com o mesmo desejo de salvação, com a mesma atenção silenciosa, com a mesma abertura generosa, com a mesma ânsia da hora de Deus. Ela é a Virgem da Expectação, a Senhora do Ó, a mãe grávida, preparada, como digna morada, para receber o Filho e ansiosa para o dar à Luz. A Igreja mira-se, assim, neste tempo de Advento, em Maria, e aprende dela a esperar! Com as exclamações de espanto e de maravilha, e ao mesmo tempo, de espera e de desejo, que é costume rezar-se nas vésperas dos dias que antecedem o Natal. Diante da imagem da Senhora do Ó, podemos encarnar este desejo, que foi seu. E rezar:

- Ó Sabedoria do Altíssimo, que tudo governais, com firmeza e suavidade!
R. Vinde ensinar-nos o caminho da salvação!
- Ó Chefe da Casa de Israel, que no Sinai nos destes a Lei de Moisés!
R. Vinde resgatar-nos com o poder do vosso braço!
- Ó Rebento da raiz de Jessé, sinal erguido diante dos Povos!
R. Vinde libertar-nos. Não tardeis mais!
- Ó Chave da Casa de David, que abris e ninguém pode fechar, fechais e ninguém pode abrir!
R. Vinde libertar os que vivem nas trevas nas sombras da morte!
- Ó Sol nascente, esplendor da Luz eterna e Sol de Justiça!
R. Vinde iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte!
- Ó Rei das nações e pedra angular da Igreja!
R. Vinde salvar o Homem que formastes do pó da terra!
- Ó Emanuel, nosso Rei e Legislador, esperança das nações e Salvador do Mundo! R. Vinde salvar-nos, Senhor, nosso Deus!

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