Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2008 - Homilia na Imaculada Conceição 1999

Homilia na Imaculada Conceição 1999

1. «Onde estás»? É a primeira pergunta de Deus ao Homem! Como se carinhosamente o Criador lhe tocasse os ombros, com a mão direita, e lhe levantasse a cabeça com o seu olhar e o interrogasse: «Que tens? Porque estás tão triste?! Tão triste e só, perdido nos passos dos jardins proibidos?»... E o Homem, que no fundo da sua miséria, pressente a voz do seu Criador, ouve o rumor dos passos de Deus. Tem medo. Acha-se nu, envergonhado de si próprio, cercado na sua própria solidão. Sem que ele o saiba exprimir, o silêncio de Deus pesa-lhe. Sim, o frio e as trevas encontram-se antes de mais nada no coração do homem que experimenta a tristeza. À pergunta do Criador, o Homem responde, com o sabor amargo do fruto proibido: «a mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi»... De repente, o Homem parece encontrar uma saída, para se desculpar. E em vez de abrir uma ponte entre Ele e Deus, entre Ele e a Mulher, ergue um muro. O muro da vergonha, que o separa da esposa e o afasta ainda mais de Deus...

2. E o Senhor, volta-se depois para a Mulher, seduzida pelo Mal, parecendo repetir o diálogo, com esta pergunta «Que fizeste? Que se passa entre um e outro? Que se passa entre vós e Mim?»... A Mulher, fazendo orelhas moucas da voz calada da consciência, transforma a serpente em “má da fita”. «A serpente enganou-me e eu comi». O muro enterrou-se ainda mais nos alicerces! O laço do amor torna-se um nó cego a prender um e outro à sua miséria. No fim, parece a história dos três tristes: Deus desencantado, o Homem envergonhado e a Mulher espezinhada!

3. Mas não. Deus não deixa o homem preso ao laço do inimigo. Não o deixa esganado no nó cego do seu pecado. Não o deixa cercado no muro da sua vergonha! Deus anuncia a salvação. Promete destruir o mal pela raiz. E «da descendência da Mulher – diz Ele – é que há-de vir Aquele que esmagará» o poder tirano da tristeza e do pecado. E assim foi... Deus voltou ao diálogo com a sua criatura humana. Fez ouvir, de novo, o rumor silencioso dos seus passos e veio ao encontro de outra Mulher. Entrou onde Ela estava, sem perguntar «onde estás?», ou «que fizeste?». Porque sabia que estava inteiramente nEle e que lhe obedecia com amor. Por isso, as palavras de Deus, na boca do Anjo, são o anúncio feliz da salvação. «Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo; bendita és tu entre as mulheres»...

Maria não teve medo nem se escondeu. Procurava apenas entender o sentido daquelas palavras e Deus parece disposto a explicar-se: «És feliz, Maria, porque te quis, em primeiro lugar! És, de facto, a predilecta do meu amor! És feliz, porque te deixaste seduzir pela beleza do meu amor divino. És feliz, porque és, entre todas as criaturas, a primeira que Eu quis sã e salva, no amor de meu Filho. És feliz, porque foste procurada e achada como digna morada de meu Filho. És feliz, porque sem sombra de pecado, és possuída pela força do altíssimo»... Isabel, dias mais tarde, receberá Maria em sua casa e, lendo à tona dos olhos da Virgem a graça de tamanha alegria, sente o menino saltar-lhe no seio e exclama: «És feliz, Maria, porque acreditaste, és feliz porque acolheste e não duvidaste, és feliz porque obedeceste e não fugiste, és feliz porque entre ti e Deus não há muro de vergonha; Tu és, ó Maria, como um enorme cristal onde se espelha a graça, onde Deus nasce e entra, como o Sol pela vidraça»!

4. No «sim» de Maria, Deus desfez o nó cego do nosso pecado, o nó daquele «não», dado pela nossa mais velha humanidade. E, ao poder dar-nos, por Maria, o seu Filho, Deus refez o laço que nos une para sempre a Ele e aos nossos irmãos. Deus abençoou a nossa Terra, quando, pelo «sim» de Maria, lhe enviou o Salvador! Em Maria, Deus fez o que, de todo, nos parecia impossível: derrubou o muro da nossa vergonha e da nossa separação. E deu-nos o Salvador.

5. Maria, é por isso, causa da nossa alegria! Causa de uma história de amor, da qual todos saímos sãos e salvos. Por causa daquele «sim» de Maria, Deus pôde fazer maravilhas, sem nenhum impedimento. Pôde devolver ao Homem triste, só e envergonhado, o rosto da alegria! Com razão, Maria pôde cantar: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu Espírito se alegra em Deus meu Salvador». Maria, causa da nossa alegria, rogai por nós pecadores!

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