Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição 2008 - Homilia na Imaculada Conceição de Nossa Senhora 1994

Homilia na Imaculada Conceição de Nossa Senhora 1994

1. O homem afastou-se de Deus e teve medo...

«Ouvi o rumor dos vossos passos. Tive medo e escondi-me»! Eis o homem. O homem frágil que se quis fora de Deus. Eis o homem que julgou poder viver enraizado nas suas próprias forças, guiado pelas suas ideias. Eis o homem que rejeitou viver na «companhia» do seu Deus e se encontra agora na mais dolorosa solidão. Eis o homem perdido no seu des-caminho, o homem desesperado da sua condição, sem esperança de remédio. Eis o «homem primeiro», vítima do mal radical: querer erguer a sua vida, seguro de si, à sombra das suas possibilidades, recusando Deus como fonte do seu ser e luz do seu agir. É este mesmo homem que se confessa diante de Deus: «Ouvi o rumor dos vossos passos. Tive medo e escondi-me». Diante de Deus que passa pelo silêncio do seu coração, o homem retrai-se, tímido e temeroso. «Tive medo e escondi-me»! Diante de Deus está diante da sua Verdade. «Estava nu e tive medo»!

2. Deus «vem» para libertar do medo, para salvar!

Mas é a este homem, perdido no seu pecado, sem esperança de salvação, é a este homem que Deus vem. Deus aproxima-se com a ternura dos seus passos delicados. Aproxima-se para tocar o homem na sua verdade mais profunda. É a este «homem» que Deus vem anunciar que «este mal radical não é fundamental nem definitivo». Vem dizer-lhe que o quer salvar, que o quer «elevar com o seu amor redentor, um amor que é sempre maior que o seu pecado». Na hora da perdição, Deus vem e traz a primeira boa nova da salvação: Da descendência da mulher, outra Mulher havia de aparecer. DEla havia de nascer Aquele que esmagaria o poder do mal.

A condição humana votada à desgraça pode deixar de ter medo. «Não ter medo porque o homem foi redimido por Deus. A força da Cruz de Cristo e da sua Ressurreição é maior do que qualquer mal de que o homem possa ou deva ter medo». Herdeiro do pecado, em Cristo o homem torna-se herdeiro da graça.

3. A graça da salvação espelhada na Imaculada

Esta graça da salvação, operada para nós na morte e Ressurreição de Cristo, espelha-se de maneira singular em Maria, Santa e Imaculada... Aquela que havia de conceber em seu seio o Salvador do Mundo. Imaculada desde a sua Conce(p)ição, Maria é assim a primeira redimida em Cristo. Quer dizer, a salvação oferecida em Cristo é oferecida primeiro a Maria e a ela oferecida de maneira radical. Tal significa que Maria é isenta não somente daquele mal que o homem experimenta diariamente nos seus pecados, mas é também liberta daquela «condição de pecado» que torna o homem pecador. Maria é a primeira, não só no tempo como na perfeição, a beneficiar da salvação de Deus em Cristo. Tendo em vista preparar uma digna morada para seu Filho, Deus encheu Maria de toda a graça. E a grandeza de Maria está no puro acolhimento e na fidelidade a este dom, na sua plena correspondência ao amor de Deus que a elegeu. Dizer «Imaculada Conceição» quer dizer que o mal no mundo deixou de ser irreversível... A obra de Cristo já o venceu, uma vez que Maria pôde nascer «cheia de graça»...

4. Para não ter medo de Deus e da nossa verdade!

Por isso, a nós que temos medo até do futuro por causa do pecado, Deus vem abraçar-nos com o seu amor redentor e dizer a cada um, como a Maria: «Não tenhas receio». «Não tenhais medo do mistério de Deus...Não tenhais medo dos homens. O homem é sempre igual. Não tenhais medo da fragilidade do Homem nem da sua grandeza. Não devemos temer a verdade sobre nós próprios. Não tenhais medo daquilo que vós mesmos criastes, não tenhais medo nem sequer de tudo o que homem produziu e se revela cada vez mais um perigo. O homem não cessa de ser grande, nem sequer na sua fragilidade. Não tenhais medo de ser testemunhas da dignidade de toda a pessoa humana, desde o momento da sua concepção até à morte. Não devemos temer a verdade sobre nós próprios. Não tenhais medo de Deus. Invocai-o como Pai, «o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que lá do alto dos Céus nos abençoou e nos escolheu, antes da Criação do Mundo, para sermos santos e irrepreensíveis», (Ef.1,3) como Maria, a cheia de graça!

ImprimirEmail